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Selecionar
bem os talentos de uma escola - uma atitude de mestre O processo de seleção é essencial para o sucesso de uma escola, pois é através dele que as instituições podem identificar talentos com potencial para fazer a diferença neste mercado tão competitivo. O grande desafio atual é a condução do processo de seleção que, na maioria das vezes, é muito falho. A falta de critérios e instrumentos adequados é um dos principais motivos deste insucesso e pode gerar grandes prejuízos financeiros, podendo causar perda de tempo e/ou de clientes, o que seria fatal. Recentemente, realizei um breve levantamento sobre as práticas de recrutamento e seleção em colégios que ofereciam formação desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Estava iniciando um trabalho no segmento de educação e resolvi fazer um benchmarking, cuja finalidade era conhecer um pouco mais as áreas de Recursos Humanos das escolas, bem como situar os procedimentos realizados na instituição em que prestava serviço na época. E então, conseguem imaginar o resultado? Bem, concluí que, de um modo geral, AS ESCOLAS, NO UNIVERSO LEVANTADO, NÃO PRIORIZAM A SELEÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DE SEUS FUNCIONÁRIOS, TANTO ADMINISTRATIVO, QUANTO DOCENTES. É
totalmente compreensível e fundamental a preocupação,
por parte dos Dirigentes Escolares, em não deixar o aluno
sem as aulas programadas. Por outro lado, os Pais destes alunos
exercem uma cobrança e, com toda a razão, pelo fato
de seus filhos estarem sem aulas de uma determinada disciplina.
O cerne da questão é o seguinte: pela grande preocupação
em não interromper a transmissão do conteúdo
pedagógico, estes Educadores contratam Professores despreparados,
não fazem uma avaliação profunda sobre o candidato
que irá preencher àquela vaga. A intenção
é boa, claro, mas eles não têm a formação
adequada para recrutar e selecionar seus Colaboradores, sem citar
as inúmeras atividades diárias que precisam dar conta,
como é sabido a rotina de uma escola é muito intensa.
E então, o problema está instalado, significando:
Outro fator relevante, é que as instituições de ensino possuem, normalmente, um Departamento Pessoal que cuida da folha de pagamento, recolhimento dos encargos, administração das grades de horários dos professores, cumprimentos das obrigações legais e, óbvio, altamente necessários. Têm sim, à frente deste Departamento, profissionais conhecedores de seu ofício, mas por outro lado não têm, também, a formação, nem a sensibilidade, nem tempo para cuidar das questões relativas ao recrutamento, seleção, treinamento e desenvolvimento das pessoas que compõem tal instituição. É no mínimo paradoxal, o fato de Educadores trabalharem em prol da formação do Ser Humano e não terem a visão de selecionar e desenvolver com afinco seus profissionais. É preciso ter em mente que todos os membros que compõem o corpo funcional de uma escola são extremamente importantes para o seu desenvolvimento global. Estas pessoas estarão em contato direto com inúmeras crianças e adolescentes em fase de formação e que eles precisam estar bem preparados, assim como conhecer a cultura do colégio em que trabalham. Daí a necessidade de se ter uma filosofia de educação continuada. Realizar cursos de atualização, programas de integração, entre outros eventos, farão com que estas pessoas estejam sempre em sintonia com os objetivos da instituição. No que diz respeito ao Corpo Docente, serei mais rigorosa ainda. É necessário verificar a formação do candidato, que deve ser de boa qualidade, checar a procedência deste profissional, buscar referências profissionais, analisar a atuação dele em sala de aula - proponha uma "aula piloto" para um grupo de observadores - cujo objetivo é auferir o grau de conhecimento técnico e atualização acerca da disciplina que lecionará, bem como o nível de informação geral. É importante verificar, também, o aspecto comportamental da pessoa, sua postura, sua forma de falar, agir e se dirigir aos demais. É fundamental levar em consideração que este candidato, como futuro professor da escola, colaborará na formação de indivíduos. Será um formador de opinião. Terá uma grande responsabilidade no futuro pessoal e profissional desta criança/adolescente. Logo, um processo seletivo bem cuidado trará benefícios e resultados positivos para a organização. Daí a necessidade de se ter profissionais de Recursos Humanos preparados e estruturados, afinados com a filosofia da escola, para que tenham condições de traçar e realizar ações concretas e efetivas no que diz respeito à gestão de pessoas. Se faz necessário parar e refletir no cenário em que vivemos atualmente. Estamos na era do capital intelectual, na era do conhecimento, as informações são velozes. As organizações estão implantando programas de desenvolvimento focados nas competências e habilidades do Colaborador. Mas acredito na formação sólida na base, quero dizer que as competências e habilidades devem ser desenvolvidas na escola e em parceria com a família, para que o aluno esteja bem preparado para deslanchar pessoal e profissionalmente na fase adulta. E como proporcionar tal feito se as escolas não investem nas pessoas que compõem sua equipe? Com este pensamento, fica o meu recado quanto a necessidade dos Dirigentes Escolares atentarem quanto a importância de se investir nas pessoas, seu maior ativo dentro da Escola. Espero que vocês apreciem este texto de forma que façam dele sua "Lição de Casa", fazendo deste momento um ato de reflexão sobre a qualidade que se deseja incutir no local específico para a formação de seres humanos plenos - A ESCOLA! * Verônica de Lyra Maranhão é Administradora de Empresas, especialista em Recursos Humanos pela UFRJ, professora de Recursos Humanos em Instituição de NívelSuperior e sócia-diretora do Espaço Arte de Curar Consultoria em Qualidade de Vida. |